quarta-feira, novembro 15, 2006

ECS 9
Textos sobre educação e ensino – Karl Marx Friedrich Engels
Síntese do texto: O Ensino e a Educação da Classe Trabalhadora (introdução e pp 79 a 98)

Introdução

O primeiro aspecto interessante é que o texto, ora estudado, sobre a educação, se refere à relações SEM DOMINAÇÃO .

Os textos são uma crítica à falta de condições educacionais gerada pelo capitalismo.

Marx e Engels viam na educação uma forma de emancipar e transformar a sociedade das condições opressoras a que se sujeitam.

Ao que me parece os escritos estão diretamente relacionados com o capital e o trabalho, porém sempre com uma visão positiva e futurista e com o pensamento na classe operária.

Junto com a revolução industrial veio a mudança educacional. A sociedade precisou aprender outras coisas relacionadas às necessidades tecnológicas.

O ensino ficou institucionalizado e a condição de igualdade entre os cidadãs foi uma exigência da classe trabalhadora.

Foi um processo demorado.

O Estado sempre percebeu que o ensino poderia ser um meio de dominação ideológica e vei em substituição ou encontro de outras instituições dominadoras: família, grêmio, igreja.

Marx repudiou a idéia do Estado controlar a sociedade através da educação.

Apesar das idéias dos autores não constituírem nenhum sistema pedagógico, elas abrem um caminho para a mudança educacional, já que esta é vista como um todo.

O ensino e a educação da classe trabalhadora

Triste sensação de que a vida humana é só trabalhar para existir.

O homem vale o que produz, o que consome e não sobra tempo para nada.

No que se refere a classe trabalhadora da Inglaterra, o texto mostra o descaso e o egoísmo da burguesia para com os operários, excluindo-os no plano moral, psíquico e intelectual.

A sociedade burguesa dispensa um tratamento diferente à classe trabalhadora. Os sujeitos são treinados para as atividades industriais e através desse treinamento os salários são regulados. (Prússia)

Críticas à educação técnica da juventude comparando-a a centros de reeducação para crianças abandonadas. (Inglaterra)

Em 1861, na Rússia, estudantes pobres que não tem acesso ao ensino superior protestam nas ruas. Isso leva o governo a fechar a Universidade de São Petersburgo, por algum tempo e a prender ou exilar (Sibéria) os estudantes.
Na Rússia, qualquer pessoa que se manifestasse contra o governo era duramente punida, inclusive os estudantes, muito visados por participarem fortemente de atos contra o sistema.

Realidade da escola

Através desta leitura percebi que os textos estudados não parecem, ou melhor, não estão com mais de um século de atraso, ao contrário, se mostram muito atuais.

Também hoje os pobres não tem acesso à formação completa.

Tenho alunos (4 série) que trabalham na construção civil, outros fazendo “bicos” nos vizinhos (limpeza), ainda há os que trabalham em casa cuidando de irmãos menores, muitos vezes tendo até que faltar aula.

Os pais são explorados, muitos dos que tem emprego, recebem salários de fome, por não possuirem formação adequada.

A Escola Helena Câmara, se localiza em um bairro muito pobre, a população que ali habita é absolutamente carente e explorada.

Durante 3 anos, fui professora no EJA, nessa mesma escola. Os alunos voltam a estudar, adultos, não pelo prazer de adquirir conhecimento, nem pela satisfação pessoal, tão pouco para se tornar uma pessoa melhor. A grande maioria retorna à sala de aula, à pedido do patrão, que exige, até mesmo ameaçando com desemprego, outros tantos vêm com a esperança de conseguir um emprego.

Então concluo que a relação trabalho/capital/educação a que o texto se refere, está presente também aqui, em 2006.

Juçara Becker

3 comentários:

viviane disse...

Ju!

Concordo contigo sobre o texto ser bem atual ,ainda hoje vivemos com essas condições!!

Bjs

Viviane

Su disse...

Oi Juçara!

Enquanto o capitalismo (neoliberalismo!) ditar as regras no mundo, Marx será uma referência essencial. Nossa educação que ruma para um modelo de competências descartáveis e submetidas ao 'mercado' é um bom exemplo da atualidade do pensamento de Marx.
abraço,
Suzana

Adriana Arruda Blog disse...

Ju, o que vc teria a acrescentar no texto coletivo do grupo? Se tens as tuas questões prontas pode enviá-las pra gente organizar as postagens?
Um beijo
Adri